Eles chegam vestidos sem que ninguém saiba quem são,
Para vestir as cores opostas,
Cores de calor e de frio,
Cores de fogo e de água,
E aguardam pelo apelo,
Pelo toque do telefone.
Aguardam pacientemente,
Em ambiente alegre e de diversão.

Até que o som já conhecido se ouve à distancia
O toque do telefone.
E tudo pára e se prepara.
À espera do sinal de partida.
Do sinal que indica o destino.

O sinal é dado!

O corpo começa a acelerar,
A alimentar-se de adrenalina,
E correm… correm para o que não sabem.
Têm apenas uma ideia do que os espera.
Têm apenas uma ideia para onde vão.
Mas vão destemidos correndo,
Correndo pelas ruas de uma cidade como qualquer outra.

Alguém os espera…

Ao chegar vêem alguém em sofrimento,
Uma vitimai… vitima da vida… vitima do momento.
E lê-se nos seus olhos
Sofridos pelo momento
A alegria de ver o seu salvador,
Como se de um anjo se tratasse.
Alguém enviado pelos céus para a salvar.

Fazem o que têm de fazer,
Tentam salvar esta vitima,
Tentam saber o que levou a ser vitima,
Fazem tudo que podem.
Tudo o que é preciso fazer.
Agem com segurança e sem medos,
Mãos firmes e seguras,
Segurando a vida de quem sofre,
Agindo rápido…

De volta às ruas,
Tudo é ocupado pela luz Azul…
Reflectida em todas as paredes…
E nas caras de quem vê.
Sendo reconhecidos por todos…
Todos que abrem caminho para que passem.

Novamente na corrida desenfreada,
Com um destino mais que conhecido,
De outras corridas, de outras vitimas…
Alguém os espera…
A adrenalina não pára.
Nos olhos de quem sofre,
Lê-se a gratidão… a confiança…
A vontade de agradecer aos céus pelos anjos…
Mas não são anjos salvadores…
São apenas humanos.

Chegados onde são esperados…
Despedem-se com alguma mágoa…
Mágoa de não poder fazer mais…
Mas agradecidos por terem conseguido fazer o que podiam.
Observam, ao longe, o olhar de gratidão…
Nos olhos de quem acabaram de salvar.

Podem agora, debaixo das estrelas,
Relaxar, deixar-se abater, ressacar da adrenalina,
Tremer, chorar, revoltar-se, enfurecer-se…
Fumar, fechar os olhos, pensar no que fizeram…
Foi tudo tão rápido,
mas podem agora mostrar o medo,
o receio de falhar, mostrar que são mortais e humanos.

Está na hora de voltar ao castelo…
Ao refugio… Ao quartel!
Onde podem repousar e esquecer…
Onde estão outros como eles…
A libertar o corpo da adrenalina…
Essa saudável droga.
Até ao próximo toque de telefone…
Até ao próximo sinal de partida…
Até alguém voltar a precisar deles.

No fim de tudo há quem pergunte
Quem são eles? São…
Homens e mulheres que não são Heróis…
Homens e mulheres que não são Anjos…
São apenas necessários, mas esquecidos…
Homens e mulheres que misturam-se na cidade
Como pessoas vulgares… mas por vezes
Vestem a pele de heróis que não o são…
Só fazem o que é preciso mas esquecido.

São “Os Heróis Esquecidos…”


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